Podemos entender a transição para a vida adulta como um fenômeno
social aguardado por todos, inclusive pelos próprios jovens. Essa fronteira
entre juventude e idade adulta envolve ganhos e perdas. Os ganhos referem-se,
de um modo geral, à consolidação da autonomia social individual, enquanto as
perdas sinalizam o desligamento de padrões comportamentais aceitáveis apenas e
tão somente até o momento em que o jovem adentra a vida adulta.
Conforme
Schaie e Willis (2003), cinco acontecimentos marcam a transição para a idade
adulta: o final da escolarização, o trabalho e a independência econômica, a
vida independente em relação à família, o casamento e a paternidade. Tais
características,que incluem aspectos
biológicos, psicológicos e sociais, mostram o indivíduo assumindo novos papéis
sociais e novas responsabilidades, uma vez que se torna trabalhador,
pai, esposo, e leitor. Não podemos deixar de considerar que na medida em que a
pessoa se torna adulta os seus deveres e direitos, como cidadão, tornam-se mais
intensos. Esses podem ser considerados os
ritos de passagem da juventude para a idade adulta, esses ritos evidenciam o
padrão imposto por nossa sociedade sobre o que é esperado de um adulto.
Em uma
sociedade vulnerável, com sérios problemas de diferença social, econômica,
imprevisível e incerta, encontramos diversas situações da transição para a vida
adulta, muitos jovens encontram varias dificuldades nessa transição
principalmente os jovens de baixa renda, que se vêem diante de um desafio
enorme como a continuidade dos estudos, a inserção no mercado de trabalho com
um salário digno, a manutenção do núcleo familiar, essas dificuldades e
vulnerabilidade social a qual esse jovem é imposto, possibilitará a
continuidade da divisão social existente, os jovens de baixa renda deixaram os
estudos por ter que ingressar no mercado de trabalho se conformando com um
trabalho que não o valorize, não dignifica
enquanto o jovem rico conseguirá dar continuidade aos seus estudos e entrará
no mercado de trabalho como um profissional competente, digno de um emprego
estável e bem remunerado. Além disso, como resultado dessa divisão social, nos
deparamos com a diminuição dessa transição, alguns
adolescentes já inseridos no mercado de trabalho com a responsabilidade de
sustentar a família. Nos deparamos também com o prolongamento da transição,
alguns jovens que se recusam a entrar na idade adulto afim de evitar as
responsabilidades que a mesma impõe, ou que se preparam para a entrada na vida
adulta com mais estudos, pós-graduação,e
especializações.
A garantia da transição para a idade com sucesso se dará por meio de educação,de qualidade Segundo Abramo (2005, p. 35):
“Além dos direitos relativos à formação/preparação para a vida adulta futura (que devem ser afirmados como fundamentais, assim como a necessidade de seu cumprimento sempre reforçada), é necessário afirmar os direitos dos jovens à inserção (que não precisa ser interpretada como acomodação às condições e padrões existentes, podendo envolver uma relação de criação e transformação na relação com o mundo social) e à participação (entendida de forma ampla, de vivência e interferência na vida social, produtiva, cultural, além da esfera propriamente política)”

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